Em apenas um ano, mais de 8 milhões de brasileiros deixaram a baixa renda e ascenderam para níveis da população com maior poder de consumo. As camadas D e E reuniram 84,8 milhões de pessoas no ano passado ou 46% da população. Em 2005, o contingente dessas classes sociais era de 92,9 milhões ou mais da metade da população brasileira (51%).
Isso é o que revela a pesquisa O Observador 2007, feita pela financeira francesa Cetelem, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs. Foram ouvidas 1.200 famílias no fim de 2006 em 70 cidades do País. Elas foram avaliadas não só pela renda recebida, mas também pela posse de bens.
A pesquisa mostra que a população de mais baixa renda migrou para as classes imediatamente superiores. Com isso, a classe C, que reunia 62,7 milhões habitantes em 2005, encerrou o ano passado com 66,7 milhões de brasileiros. O topo da pirâmide, isto é, as classes A e B, recebeu nesse período 6,3 milhões de pessoas. "2006 foi um ano extremamente bom para as classes menos favorecidas", afirma o diretor de Marketing e Desenvolvimento da Cetelem, Franck Vignard Rosez. Segundo ele, uma combinação favorável de fatores contribuiu para a mobilidade social da população. Entre esses fatores, ele aponta o aumento da massa salarial, a inflação controlada e, especialmente, o crescimento do crédito. Por meio de prazos esticados e juros cadentes, o crédito fez o dinheiro render mais nas mãos do consumidor.
VIRADA
Prova disso é que, pela primeira vez, sobrou dinheiro no bolso do brasileiro de baixa renda no ano passado. Em 2006, as famílias das classes D e E conseguiram ter um troco de R$ 2,49 no fim do mês, depois de quitar todas as despesas, mostra a pesquisa. O saldo parece insignificante, mas indica o começo de uma virada no poder de compra da baixa renda. Em 2005, faltavam para essas mesmas famílias R$ 16,56 para fechar as contas no fim do mês.
Também nesse período, a situação melhorou para a classe C. A renda familiar disponível, isto é, os recursos que sobram após cobrir as despesas do mês, que era de R$ 122,34 em 2005, subiu para R$ 191,41 em 2006. O ganho foi de 56%.
Em contrapartida, as classes A e B viram a renda disponível cair 18% no período, de R$ 631,79 em 2005 para R$ 518,29 em 2006. O recuo é reflexo da renda líquida familiar desse estrato social, que teve queda de 6%. Além disso, gastos que não são essenciais, como combustível, telefone, TV por assinatura, entre outros, consomem 44% da renda dos mais ricos.
O grande destaque da pesquisa é o Nordeste, que reúne 25% dos brasileiros. Foi a região do País que registrou, no ano passado, o maior crescimento da renda média familiar disponível. A alta foi 38%.
Rosez destaca que, dos 12 itens de compra analisados em 2005 e no ano passado, a intenção de adquirir esses itens aumentou em 11 deles. "Tudo melhorou no Nordeste."A intenção de ter computador em casa mais que dobrou em um ano, de 7% para 15%. O interesse de comprar a casa própria passou de 6% para 10%. (ESP)
28/03/2007
DIEESE PREVÊ QUEDA MAIS ACENTUADA NO DESEMPREGO EM 2007
As projeções para o mercado de trabalho em 2007 traçadas pelo meio sindical são otimistas, incluindo a possibilidade de aumento de contratações e redução do estoque de desempregados no país.
Segundo cenário projetado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), dependendo do grau de ousadia a ser aplicado pelo governo no pacote de medidas para estimular o crescimento econômico,a ser divulgado ainda neste mês, o país poderá notar uma queda mais acentuada do desemprego.
Isso deverá contribuir ainda para a continuidade do aumento da massa salarial e para a melhoria do rendimento médio do trabalhador, segundo avaliação da assessora técnica do Dieese, Patrícia Lino Costa.
O otimismo, de acordo com Patrícia, reflete as indicações dadas pelo governo de estímulo aos investimentos em infra-estrutura. Confirmadas, terão grande impacto na geração de ocupações.
A técnica observa que também joga favoravelmente ao movimento de contratações a elevação do salário mínimo para R$ 380, estimulando o consumo da população de menor renda e os incentivos à construção civil.
Ela pondera que, ratificada a projeção do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,5% este ano, considerada pela maioria do setor financeiro, o mercado de trabalho tenderá a manter a redução da massa de desempregados, porém num ritmo lento, seguindo o comportamento verificado nos últimos dois anos.
Em novembro, a taxa de ocupação verificada pelo IBGE era de 9,5% da PEA (População Economicamente Ativa), nas seis principais regiões metropolitanas do País. Já a Pesquisa de Emprego e Desemprego identificou índice de 14,1% de desempregados na Grande São Paulo, o menor para o mês desde 1996.
"O fato é que o desemprego caiu mais em São Paulo, puxado pela indústria, e Belo Horizonte, por serviços, e não teve o mesmo comportamento no restante do País. Acreditamos que há espaço para a indústria expandir contratações, acompanhada por serviços, e o crescimento do emprego ocorrer em todas as regiões", indicou Patrícia.
Setores mais beneficiados
Uma vez que as projeções são de continuidade de queda dos juros em ritmo lento e de câmbio sem grandes oscilações, a perspectiva do Dieese é de contratações atreladas ao consumo do mercado doméstico.
Assim, os segmentos ligados a calçados, vestuário, têxtil e alimentação deverão gerar os postos de trabalho.
Na mesma linha, os prestadores de serviços ligados à indústria também poderão se beneficiar desse ambiente favorável de criação de empregos.
(AE)
Segundo cenário projetado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), dependendo do grau de ousadia a ser aplicado pelo governo no pacote de medidas para estimular o crescimento econômico,a ser divulgado ainda neste mês, o país poderá notar uma queda mais acentuada do desemprego.
Isso deverá contribuir ainda para a continuidade do aumento da massa salarial e para a melhoria do rendimento médio do trabalhador, segundo avaliação da assessora técnica do Dieese, Patrícia Lino Costa.
O otimismo, de acordo com Patrícia, reflete as indicações dadas pelo governo de estímulo aos investimentos em infra-estrutura. Confirmadas, terão grande impacto na geração de ocupações.
A técnica observa que também joga favoravelmente ao movimento de contratações a elevação do salário mínimo para R$ 380, estimulando o consumo da população de menor renda e os incentivos à construção civil.
Ela pondera que, ratificada a projeção do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,5% este ano, considerada pela maioria do setor financeiro, o mercado de trabalho tenderá a manter a redução da massa de desempregados, porém num ritmo lento, seguindo o comportamento verificado nos últimos dois anos.
Em novembro, a taxa de ocupação verificada pelo IBGE era de 9,5% da PEA (População Economicamente Ativa), nas seis principais regiões metropolitanas do País. Já a Pesquisa de Emprego e Desemprego identificou índice de 14,1% de desempregados na Grande São Paulo, o menor para o mês desde 1996.
"O fato é que o desemprego caiu mais em São Paulo, puxado pela indústria, e Belo Horizonte, por serviços, e não teve o mesmo comportamento no restante do País. Acreditamos que há espaço para a indústria expandir contratações, acompanhada por serviços, e o crescimento do emprego ocorrer em todas as regiões", indicou Patrícia.
Setores mais beneficiados
Uma vez que as projeções são de continuidade de queda dos juros em ritmo lento e de câmbio sem grandes oscilações, a perspectiva do Dieese é de contratações atreladas ao consumo do mercado doméstico.
Assim, os segmentos ligados a calçados, vestuário, têxtil e alimentação deverão gerar os postos de trabalho.
Na mesma linha, os prestadores de serviços ligados à indústria também poderão se beneficiar desse ambiente favorável de criação de empregos.
(AE)
27/03/2007
MAIORIA DOS ELEITORES APÓIA VOTO DISTRITAL, REVELA PESQUISA
As elites políticas resistem à reforma política, mas 56% dos eleitores brasileiros aprovam a adoção do voto distrital, contra 36% que apóiam a manutenção do sistema proporcional para eleger deputados federais, estaduais e vereadores, revela pesquisa da Ipsos Public Affairs. Com o voto distrital, os Estados seriam divididos em distritos, nos quais cada partido teria um só candidato para cargos parlamentares. O sistema é distrital nos EUA, na Inglaterra e na França.
Para 78%, o voto distrital facilita a cobrança de promessas feitas pelo eleito; 68% acham que o voto distrital ajuda a diminuir a corrupção parlamentar. Ele barateia as campanhas e aumenta a proximidade do representante político com o eleitorado, mas há também quem acuse o sistema de paroquializar a representação política federal. Em relação à escolaridade, o voto distrital conta com a preferência de 58% dos eleitores que têm segundo grau, de 55% dos que têm até o primeiro grau e de 52% dos de nível superior. No Norte-Centro Oeste, 63% dos eleitores o apóiam, índice que desce para 60% no Sudeste, para 55% no Nordeste e para 41% no Sul, onde a preferência majoritária é pela manutenção do sistema proporcional (48%).
Mas em todas as regiões os eleitores brasileiros acham que o voto distrital contribuiria para diminuir a corrupção no meio político-parlamentar: são 80% no Nordeste, 70% no Sudeste, 56% no Norte/Centro-Oeste e 49% no Sul. O apoio à adoção do voto distrital aumenta se o número de partidos for reduzido. Com apenas dois partidos, 66% dos brasileiros apoiariam esse sistema eleitoral.
(AE)
Para 78%, o voto distrital facilita a cobrança de promessas feitas pelo eleito; 68% acham que o voto distrital ajuda a diminuir a corrupção parlamentar. Ele barateia as campanhas e aumenta a proximidade do representante político com o eleitorado, mas há também quem acuse o sistema de paroquializar a representação política federal. Em relação à escolaridade, o voto distrital conta com a preferência de 58% dos eleitores que têm segundo grau, de 55% dos que têm até o primeiro grau e de 52% dos de nível superior. No Norte-Centro Oeste, 63% dos eleitores o apóiam, índice que desce para 60% no Sudeste, para 55% no Nordeste e para 41% no Sul, onde a preferência majoritária é pela manutenção do sistema proporcional (48%).
Mas em todas as regiões os eleitores brasileiros acham que o voto distrital contribuiria para diminuir a corrupção no meio político-parlamentar: são 80% no Nordeste, 70% no Sudeste, 56% no Norte/Centro-Oeste e 49% no Sul. O apoio à adoção do voto distrital aumenta se o número de partidos for reduzido. Com apenas dois partidos, 66% dos brasileiros apoiariam esse sistema eleitoral.
(AE)
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